Rio sob Ponte seca
A ponte de Antônio Dias é a mais importante de Ouro Preto (MG), pela sua localização, tamanho e harmonia de proporções. Foi construída entre 1745 e 1757, em alvenaria de pedra, em dois arcos iguais de 5 metros de vão e 7,40 metros de altura. Situa-se no largo do Dirceu, sobre o córrego da Sobreira. O nome da ponte é homenagem ao bandeirante paulista Antônio Dias. De acordo com narrativas da época, ele teria avistado pela primeira vez o pico do Itacolomi, em 1698, local onde hoje existe a cidade. O pico era a referência que a expedição tinha dos relatos de garimpeiros que haviam encontrado "ouro preto" - nome dado às pedras com a superfície escura que, depois, se revelavam na sua cor dourada - no ribeirão Tripuí, atual Funil. Após a descoberta, Antônio Dias e sua bandeira se estabeleceram na região e foram os primeiros povoadores de Ouro Preto. A ponte de Antônio Dias é composta de dois paredões interrompidos pelos dois arcos plenos (arcos em semicircuferência), tendo ao centro um pequeno terreno circular e cruz de cantaria sobre pedestal. Nos extremos, há quatro pilastras de cantaria, encimadas por pirâmides. As águas, que descem dos morros de São Sebastião e Pascoal da Silva, correm apenas sob um dos arcos. A ponte dá acesso a outro monumento importante de Ouro Preto, o chafariz de Marília, chamado assim em homenagem a Maria Dorotéia Joaquina de Seixas. Nos anos que antecederam a Inconfidência Mineira, ocorrida em 1789, Marília foi musa do desembargador e poeta Tomás Antônio Gonzaga, um dos líderes do movimento e autor de versos apaixonados, dedicados a ela. A ponte surge na estrofe de uma das mais famosas Liras do poeta, a de número 37. O caminho para chegar à casa de Marília foi igualmente reconstruído pelo poeta Manuel Bandeira (1886-1968), em seu Guia de Ouro Preto.